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AMAZÔNIA!

Querem acabar comigo,
é esta a realidade,
o machado, meu inimigo,
quer me ceifar de verdade.

Já não sou mais verde virgem,
da floresta sou o resto,
já não tenho mais paisagem,
sou alvo de protesto.

O mundo inteiro me olha
com ar de desencanto,
e eu fico a me olhar
abandonada aqui num canto.

Quem eu já fui, quem hoje sou. . .
Quem me viu quem me vê
na certa entenderá o que passou,
eu perdi o direito de viver.

Sou um arbusto no deserto,
vivo na solidão, no meio da multidão,
o fogo me queima a mata de perto,
SOS, estou em chamas aqui no chão! 
    
Sou um pensamento vago,
sou noites frias de insônia,
sou paraíso do estrago,
sou relíquia da AMAZÔNIA.


Com essa poesia eu ganhei o 1º festival aberto
de poesia de Formosa-GO em 1983


Formosa, GO, 07.08.83
Antônio Galdino
Antonio Galdino
Enviado por Antonio Galdino em 30/08/2019
Alterado em 04/09/2019


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